{"id":17666,"date":"2023-03-18T13:52:20","date_gmt":"2023-03-18T16:52:20","guid":{"rendered":"https:\/\/mensagemcrista.com\/?p=17666"},"modified":"2023-03-18T13:52:20","modified_gmt":"2023-03-18T16:52:20","slug":"entendendo-a-duvida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mensagemcrista.com\/index.php\/2023\/03\/18\/entendendo-a-duvida\/","title":{"rendered":"Entendendo a D\u00favida"},"content":{"rendered":"<p>Ron J. Bigalke<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A d\u00favida \u00e9 um sentimento de incerteza. Para o crist\u00e3o, essa incerteza pode surgir quando consideramos Deus ou o nosso relacionamento com ele. Davi implorou uma vez: \u201cAt\u00e9 quando, Senhor, te esquecer\u00e1s de mim? Ser\u00e1 para sempre? At\u00e9 quando esconder\u00e1s de mim o teu rosto?\u201d (Sl 13.1). Uma raz\u00e3o por que muitos crist\u00e3os acham dif\u00edcil responder \u00e0 d\u00favida \u00e9 que eles consideram essa incerteza como sendo exclusivamente sua. Embora possa ser f\u00e1cil pensar naqueles a quem Deus usa mais efetivamente como sendo quase perfeitos, nada poderia estar mais longe da verdade.<\/p>\n<p>Os personagens das Escrituras eram pessoas aut\u00eanticas, que experimentaram muitas das mesmas lutas que outros t\u00eam medo de admitir. Jeremias, por exemplo, foi um dos maiores profetas do Antigo Testamento; contudo, apesar de toda sua coragem, ele tamb\u00e9m estava sujeito a per\u00edodos de grande depress\u00e3o. Jeremias era maltratado com frequ\u00eancia, e sua vida estava constantemente em perigo. Mais do que qualquer outro santo do Antigo Testamento, ele sabia o significado de \u201ctomar parte nos&#8230; sofrimentos [de Cristo]\u201d (Fp 3.10). Por essa raz\u00e3o, n\u00e3o deveria ser chocante ler o lamento do profeta como segue: \u201cSenhor, tu me enganaste, e eu fui enganado; foste mais forte do que eu e prevaleceste. Sou ridicularizado o dia inteiro; todos zombam de mim\u201d (Jr 20.7, NVI).<\/p>\n<p>Abra\u00e3o \u2013 o pr\u00f3prio exemplo de justi\u00e7a por meio da f\u00e9 \u2013 se cansou de esperar que Deus cumprisse sua promessa de um descendente naquilo que \u00e9 conhecido como a alian\u00e7a abra\u00e2mica de G\u00eanesis 12. Deus havia prometido a Abra\u00e3o que seus descendentes seriam uma ben\u00e7\u00e3o para toda a terra (Gn 12.2-3), e que ele faria sua descend\u00eancia t\u00e3o numerosa quanto \u201co p\u00f3 da terra\u201d (13.16). Abra\u00e3o tinha aproximadamente oitenta anos de idade quando disse: \u201cSenhor Deus, que me dar\u00e1s, se continuo sem filhos?\u201d (15.2a). Se ele morresse, o \u00fanico herdeiro de sua casa seria Eli\u00e9zer (v. 2b). Abra\u00e3o estava preocupado com o resultado do plano de salva\u00e7\u00e3o mundial de Deus. O Senhor havia feito uma promessa graciosa, mas parecia n\u00e3o estar fazendo nada. Abra\u00e3o e Sara estavam envelhecendo e ficando cheios de d\u00favidas.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s se cansou de assumir a responsabilidade pela comunidade do deserto, ent\u00e3o expressou vigorosamente seus sentimentos a Deus, perguntando por que o Senhor fizera mal ao seu servo e por que parecia que ele n\u00e3o tinha o favor divino (Nm 11.11). A promessa de Deus de fornecer carne era uma resposta \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s (v. 18). Este duvidou de que Deus seria realmente capaz de fornecer carne para uma multid\u00e3o t\u00e3o grande de pessoas, de forma que pudessem comer \u201cdurante um m\u00eas inteiro\u201d (v. 21). Pensando em termos humanos, Mois\u00e9s perguntou: \u201cQuantos rebanhos de ovelhas e de gado ter\u00edamos de matar, para que tivessem o suficiente? Ou ser\u00e1 que bastaria, se ajunt\u00e1ssemos para eles todos os peixes do mar?\u201d (v. 22). A resposta de Deus serviu para lembrar Mois\u00e9s da onipot\u00eancia divina (v. 23; cf. Is 55.8-9).<\/p>\n<p>O dr. Gary Habermas \u00e9 um distinto professor pesquisador de apolog\u00e9tica e filosofia, cujo livro Dealing with Doubt [Lidando com a d\u00favida] d\u00e1 tr\u00eas exemplos de d\u00favida: (1) factual; (2) emocional e (3) volitiva. O tipo mais comum de d\u00favida \u00e9 factual, que surge de uma falta de informa\u00e7\u00f5es. A d\u00favida factual \u00e9 evidente na pergunta de Maria ao anjo Gabriel com respeito \u00e0 possibilidade de ela conceber uma crian\u00e7a sem ter \u201crela\u00e7\u00f5es com homem algum\u201d (Lc 1.34). A solu\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00favida factual \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o das Escrituras. Conta-se frequentemente a hist\u00f3ria de que quando algu\u00e9m perguntou a Agostinho o que Deus estava fazendo no tempo infinito antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo, o pai eclesi\u00e1stico respondeu com raiva: \u201cDeus estava criando o inferno para pessoas que fazem perguntas assim\u201d. Alguns consideram a resposta de Agostinho engra\u00e7ada, enquanto outros a veem como a ilustra\u00e7\u00e3o perfeita de como a religi\u00e3o desencoraja perguntas e, em vez disso, exige uma f\u00e9 cega.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que Agostinho nunca indicou ser errado ter questionamentos e fazer s\u00faplicas sinceras a Deus por entendimento; pelo contr\u00e1rio, ele criticava severamente quem condenasse isso. Ele desejava levar a s\u00e9rio perguntas instigantes, e recusava-se a \u201cfugir do ponto da quest\u00e3o\u201d por meio de uma \u201cresposta fr\u00edvola\u201d. Santo Agostinho disse: \u201cMas uma coisa \u00e9 zombar do questionador, e outra \u00e9 encontrar a resposta. Por isso, eu me abstenho de dar essa r\u00e9plica. Pois em quest\u00f5es nas quais sou ignorante, prefiro assumir o fato a ganhar cr\u00e9dito ao dar a resposta errada e ridicularizar um homem que faz uma pergunta s\u00e9ria\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><em>O tipo mais frequente e doloroso de d\u00favida \u00e9 a emocional; e \u00e9 tamb\u00e9m a mais dif\u00edcil de resolver.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ao inv\u00e9s de considerar a f\u00e9 como antit\u00e9tica a ter perguntas, Agostinho a considerava como um incentivo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se entende para crer; antes, a f\u00e9 de algu\u00e9m \u00e9 para entender, pois esta \u00e9 a recompensa de tal cren\u00e7a. Ter perguntas desafiadoras e s\u00faplicas sinceras para que sua mente seja informada \u2013 resultando assim em maior compreens\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9 algo a ser evitado. O intenso anseio de Agostinho por um maior entendimento das Escrituras \u00e9 evidente em seus coment\u00e1rios sobre G\u00eanesis 1.1 (\u201cNo princ\u00edpio, Deus criou os c\u00e9us e a terra\u201d). Ele escreveu:<\/p>\n<p>\u201cDeixe-me ouvir e entender o significado das palavras: no princ\u00edpio tu fizeste os c\u00e9us e a terra. Mois\u00e9s escreveu essas palavras. [&#8230;] Ele n\u00e3o est\u00e1 mais aqui e eu n\u00e3o posso v\u00ea-lo face a face. Mas se ele estivesse aqui, eu o agarraria e, em teu nome, imploraria e rogaria que ele me explicasse essas palavras. [&#8230;] Uma vez que n\u00e3o posso questionar Mois\u00e9s, cujas palavras eram verdadeiras porque tu, a Verdade, encheste-o contigo mesmo, eu clamo a ti, meu Deus, que perdoes meus pecados e conceda-me a gra\u00e7a para entender essas palavras. [&#8230;]\u201d<\/p>\n<p>Fugir de perguntas desafiadoras e que levam \u00e0 reflex\u00e3o por meio de uma r\u00e9plica irreverente n\u00e3o \u00e9 apropriado como resposta \u00e0 d\u00favida factual. Fatos s\u00e3o a resposta a essa incerteza. A d\u00favida factual preocupa-se mais frequentemente com as evid\u00eancias do cristianismo, como a exist\u00eancia de Deus e o problema da dor e do sofrimento; ou mesmo fatos hist\u00f3ricos, como milagres e a autenticidade das Escrituras. A d\u00favida que \u00e9 mais factual \u00e9 geralmente resolvida se informa\u00e7\u00f5es suficientes s\u00e3o fornecidas em resposta \u00e0s suas quest\u00f5es. A d\u00favida factual \u00e9 resolvida principalmente com fatos que fornecem as raz\u00f5es apropriadas para a f\u00e9. Portanto, o melhor rem\u00e9dio \u00e9 um maior entendimento das Escrituras, pois o \u201cleite\u201d \u00e9 nutritivo por um tempo, mas o \u201calimento s\u00f3lido\u201d sustentar\u00e1 uma pessoa a longo prazo (cf. 1Co 3.1-4; Hb 5.11-14). Se a d\u00favida \u00e9 factual, a Palavra de Deus tem a resposta; e, se algu\u00e9m ainda n\u00e3o confiou em Deus, \u00e9 incumb\u00eancia do crist\u00e3o \u201cresponder&#8230; com mansid\u00e3o e temor\u201d, seguindo o exemplo de Jesus quando ele se defendeu (cf. 1Pe 3.15-16).<\/p>\n<p>Se as respostas n\u00e3o s\u00e3o obtidas, perguntas factuais podem resultar em uma rea\u00e7\u00e3o emocional, ou o que pode ser chamado de d\u00favida emocional. O tipo mais frequente e doloroso de d\u00favida \u00e9 a emocional; e \u00e9 tamb\u00e9m a mais dif\u00edcil de resolver. A d\u00favida emocional geralmente surge de uma experi\u00eancia dolorosa. O que pode ser considerado por alguns como os gemidos da vida (cf. Rm 8.18-25), pode ser debilitante para outros, de forma que pouco pode ser feito para oferecer consolo. A d\u00favida surge porque uma pessoa fica incerta quanto ao amor de Deus por ele ou por ela. A pessoa com d\u00favidas emocionais n\u00e3o necessita de fatos, pois ela tem dificuldade de crer naquilo que sabe ser verdadeiro, como resultado de interpretar os fatos de uma forma emocional. Quando uma pessoa conhece os fatos de uma situa\u00e7\u00e3o, mas ainda luta com a d\u00favida, a raz\u00e3o \u00e9 muito provavelmente uma causa emocional para tal incerteza.<\/p>\n<p>Aqueles com d\u00favida emocional podem expressar as mesmas perguntas que aqueles com d\u00favida factual, embora o fa\u00e7am por motivos diferentes. Por exemplo, ambos podem expressar d\u00favida com respeito \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Um pergunta a respeito de fatos que n\u00e3o possui, enquanto outro pergunta porque considera a possibilidade de estar errado. Normalmente, o maior indicador de que a d\u00favida \u00e9 emocional \u00e9 quando uma pessoa que est\u00e1 sofrendo responde \u00e0s raz\u00f5es por que n\u00e3o deveria duvidar com uma quest\u00e3o que come\u00e7a com: \u201cE se&#8230;?\u201d. A pessoa conhece os fatos da ressurrei\u00e7\u00e3o, por exemplo, mas se pergunta: \u201cE se ele estiver errado?\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><em>A d\u00favida n\u00e3o \u00e9 descren\u00e7a. O oposto de f\u00e9 \u00e9 descren\u00e7a.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Como uma pessoa vence a d\u00favida emocional? Mudar o modo de pensar \u00e9 a resposta. O livro de Romanos faz um contraste interessante entre o descrente e o crente. De acordo com Romanos 1, o descrente troca \u201ca verdade de Deus pela mentira\u201d (v. 25). Os crentes, todavia, devem apresentar seus corpos como \u201csacrif\u00edcio vivo [e] santo\u201d (12.1), que \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o pela \u201crenova\u00e7\u00e3o da [nossa] mente\u201d (v. 2). Um acredita em uma mentira, enquanto o outro muda a sua maneira de pensar. O humor de uma pessoa \u00e9 alterado por aquilo que ela est\u00e1 pensando. A Palavra de Deus \u00e9 verdadeira; consequentemente, aquele que tem d\u00favidas emocionais precisa parar de pensar erroneamente a respeito da verdade.<\/p>\n<p>O tipo final de d\u00favida \u00e9 volitivo, que pode ser uma pessoa com uma f\u00e9 imatura, ou o questionamento sobre se a f\u00e9 de algu\u00e9m em Jesus \u00e9 aut\u00eantica por esta ter ocorrido com poucos anos de idade. Outros exemplos podem incluir a indisposi\u00e7\u00e3o em arrepender-se de pecado conhecido, ou de aplicar verdades b\u00edblicas \u00e0 sua vida. A forma mais extrema de d\u00favida volitiva \u00e9 algu\u00e9m que decide n\u00e3o acreditar. A d\u00favida n\u00e3o adv\u00e9m de falta de evid\u00eancias; antes, \u00e9 uma decis\u00e3o pessoal de n\u00e3o acreditar em Deus, apesar das provas. Os l\u00edderes religiosos no tempo da primeira vinda de Cristo s\u00e3o exemplos de pessoas que voluntariamente rejeitaram as evid\u00eancias tanto de cumprimento das Escrituras, quanto dos sinais milagrosos.<\/p>\n<p>A d\u00favida n\u00e3o \u00e9 descren\u00e7a. O oposto de f\u00e9 \u00e9 descren\u00e7a. H\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental entre a incerteza de mente aberta da d\u00favida, e a certeza de mente estreita da descren\u00e7a. \u00c9 claro, a d\u00favida pode levar \u00e0 descren\u00e7a se n\u00e3o for resolvida. A descren\u00e7a, contudo, \u00e9 uma rejei\u00e7\u00e3o de Deus e de sua Palavra. A d\u00favida pode ocorrer na vida de um crist\u00e3o; \u00e0s vezes esta \u00e9 factual ou emocional. Contudo, quando a d\u00favida \u00e9 alimentada de forma volitiva, seja por meio de imaturidade espiritual ou expectativas irrealistas (p. ex., ter certeza absoluta para tudo), ela pode se manifestar em descren\u00e7a. A d\u00favida n\u00e3o equivale automaticamente a descren\u00e7a. Judas 22 diz: \u201cE tenham compaix\u00e3o de alguns que est\u00e3o em d\u00favida\u201d. As Escrituras prometem ao crist\u00e3o que depende de Cristo pela f\u00e9 que ele n\u00e3o ficar\u00e1 sobrecarregado por nada (1Co 10.13), o que certamente inclui a d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.chamada.com.br\/\">Chamada<\/a><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ron J. Bigalke &nbsp; A d\u00favida \u00e9 um sentimento de incerteza. Para o crist\u00e3o, essa incerteza pode surgir quando consideramos Deus ou o nosso relacionamento com ele. Davi implorou uma vez: \u201cAt\u00e9 quando, Senhor, te esquecer\u00e1s de mim? Ser\u00e1 para sempre? At\u00e9 quando esconder\u00e1s de mim o teu rosto?\u201d (Sl 13.1). 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